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Orgulho LGBTQIA+: Para além de narrativas de sobrevivência


 Partindo de uma iniciativa própria, participei como ouvinte da palestra em comemoração do Dia do orgulho LGBTQIA +, intitulada: "Conhecer para combater e transformar: as pesquisas em gênero e sexualidade contra a LGBTQIA+ fobia". A palestra foi realizada no auditório do ICHCA, na UFAL, iniciando às 19 horas. Considero fundamental reconhecer a luta e o discurso de defesa das demais pluralidades que estão além do espectro hétero-cis-normativo, e levar esse conhecimento ao espaço escolar, uma vez que a evasão escolar entre jovens que se identificam como LGBTQIA + é maior, e os corpos  que permanecem dentro da escola, trazem consigo experiências de bullying e preconceito dentro dos corredores de um espaço que deveria ser acolhedor. Levar esse conhecimento é essencial, uma vez que e estado de Alagoas é um dos estados mais perigosos para a comunidade no nosso país, e o Brasil se configura como o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ em razão da LGBTQIA+ fobia, uma ironia, em razão que também se classifica como aquele que mais dispõe de leis que protegem essa comunidade, possibilitar acesso a informação e desconstrução de padrões tóxicos dentro da escola, não só melhora a convivência dentro da escola, como também prepara cidadãos mais empáticos e humanos em relação ao outro.
  A palestra tem o propósito de expor as pesquisas acerca do tema gênero e sexualidade, trazendo narrativas de resistência e ativismo a partir dos relatos pessoais dos palestrantes. Elias veras coordenador do GEPHGS (grupo de pesquisa em história, gênero e sexualidade - UFAL) e é professor do ICHCA na UFAL, pontuou as atividades do grupo nos estudos de gênero e como é importante produzir novos saberes acerca desses estudos para podermos nos desamarrar dos laços da ignorância do preconceito. Em seguida Andrea Pacheco nos deu um prelúdio das lutas da comunidade e um destaque acerca da representação das mulheres LGBTQIA+ e de como elas vêm resistindo ao apagamento ou distanciamento de suas questões mesmo dentro do movimento, ressaltou também a necessidade de se impor e se afirmar como um sujeito que transcende a sua sexualidade e gênero, afinal, somos um conjunto de características que juntas constituem nossa humanidade. Passada a palavra, Marcos Mesquita (EDS-IP) falou sobre as produções textuais e visuais dos estudos de gênero e sexualidade, a importância de diferentes corpos mostrarem sua história e fazerem arte, seja na periferia ou nos centros urbanos, a visibilidade como instrumento de presença nos demais setores da sociedade (ainda que somente a presença não seja princípio de real igualdade dentro de certos espaços, falarei disso adiante). 
Para concluir os posicionamentos e relatos, Débora Massmann (dissenso- FALE), nos presenteou com uma fala honrosa a respeito da linguagem e da ressignificação como instrumento de resistência, o "eu sou" sobressaindo o olhar julgador que insiste em colocar rótulos ou semear estereótipos. Massmann nos trouxe o seu relato enquanto mulher, pesquisadora, lésbica e candomblecista, destacando a real importância da representatividade, trazendo uma crítica que só a simples presença não garante que certos corpos tenha o mesmo prestígio em razão daquele que compõe a heteronormatividade (e subsequente, tudo o que esteja nos padrões sociais e que conferem privilégio em relação aos demais grupos) trouxe a sua narrativa de experiência com o preconceito e a dúvida de sua capacidade por outros colegas, que para além de suas semelhanças também eram reprodutores do machismo (independente da orientação sexual). Em suma, foi debatido a representatividade, a importância de uma UFAL mais acolhedora e que de fato ofereça oportunidades a todos, o machismo e outros traços tóxicos trazidos de fora para a bolha LGBT e lá reproduzido, e a importância de encontros para celebrar nossas conquistas enquanto sujeitos políticos e para se unir e cobrar o que têm de ser feito (e preservado, mediante a políticas que flertam com o conservadorismo, nossos direitos ainda correm riscos, inclusive, os já conquistados). 
 Considero uma experiência de muito valor ter participado da palestra e poder aprender as diversas problemáticas ainda enfrentadas por pessoas LGBTQIA+ nos mais diversos espaços e faixas etárias, e de pensar para além do discurso acadêmico a aplicação dessas pautas nos espaços mais diversos da sociedade, e entre eles, a escola. Partindo do pressuposto de um um olhar humanizado que  visa oferecer mais conforto, e de maneira coletiva e organizada mais políticas públicas e proteção a quem ainda se encontra à margem da sociedade, e fazendo enfrentamento a narrativa tendenciosa do conservadorismo, que diz que esses debates visam doutrinar formas de comportamento aos jovens que estão vivenciando a adolescência, longe disso, buscando oferecer apoio e proteção aos que necessitam, construindo um ambiente pacífico e respeitoso a todos, para que enfim a história de pessoas LGBTQIA+ dentro da escola não seja de relatos de sobrevivência nos corredores, mas de vivência e de igual aproveitamento a tudo o que o ambiente escolar pode oferecer.

Autor: Rafael Francisco Alves

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